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Crise no Banco Master acende alerta nos precatórios, mas setor projeta alta e retorno de até 30% ao ano

Bruno Medeiros Durão avalia que o impacto é mais de confiança do que estrutural; Felipe de Andrade diz que o setor deve sair fortalecido com mais transparência

A intervenção do Banco Central no Banco Master, culminando na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, reacendeu preocupações sobre a segurança de operações financeiras baseadas em precatórios. No entanto, para especialistas e líderes do setor, o episódio demonstra justamente a necessidade de aprimoramento regulatório, sem comprometer a solidez do mercado como um todo.

O que são precatórios
Precatórios são ordens de pagamento emitidas por decisão judicial definitiva, nas quais um ente público (União, estado ou município) é condenado a pagar uma quantia a alguém. Em vez de esperar pelo pagamento, credores podem negociar esse direito com investidores, vendendo seus créditos por um valor menor, com deságio, o que gera oportunidade de retorno para quem compra. Ao mesmo tempo, esses títulos geralmente são corrigidos por índices econômicos, o que pode tornar o investimento atraente, embora envolva riscos de liquidez e prazo.

Crescimento e potencial de retorno
O mercado de precatórios no Brasil segue em forte expansão. Segundo dados oficiais, os precatórios federais programados para pagamento em 2025 somam R$ 70,7 bilhões, refletindo a relevância desse segmento para o sistema financeiro. Operadores do mercado indicam que os retornos médios para investidores especializados variam entre 20% e 30% ao ano, dependendo do deságio, do prazo e da correção aplicada.

Para o tributarista e especialista em finanças Bruno Medeiros Durão, o episódio do Master representa não um risco estrutural, mas uma oportunidade de amadurecimento para o setor. “O problema não reside nos precatórios em si, mas na governança de algumas operações específicas. Esse é um momento para reforçar os processos de validação dos créditos, garantindo que investidores e credores atuem com segurança”, afirma. Ele acrescenta que esse reforço regulatório pode fortalecer empresas sérias. “Com maior rigor, players comprometidos com compliance têm tudo a ganhar”, completa.

Para Felipe de Andrade, CEO da Premium Office, empresa com mais de dez anos de experiência no mercado de precatórios, o incidente reforça o valor de operar com transparência, auditoria e controle de risco. “Nós já trabalhamos há muito tempo com due diligence documental, com rastreamento da origem dos créditos e com análise jurídica profunda. Episódios como o do Master apenas destacam a importância desses processos”, explica. Ele acredita que a crise vai acelerar a profissionalização do setor. “Haverá uma pressão natural por regras mais claras, auditorias independentes e maior governança. E isso fortalece empresas que, como a Premium Office, já adotam essas práticas”, completa.

Impacto de curto prazo e perspectiva futura

Analistas do mercado apontam três efeitos imediatos da crise:

* Redução temporária da liquidez — algumas instituições podem reduzir a oferta de antecipação ou securitização até ajustar suas políticas de risco.

* Aumento nos spreads — o custo para estruturar operações com precatórios tende a subir, à medida que compradores exigem mais garantias e verificações.

* Migração para players robustos – empresas com governança consolidada, processos de avaliação documental e histórico auditado devem ganhar participação de mercado.

Na visão de Durão, apesar dos custos elevados no curto prazo, a reorganização pode ser benéfica. “Esse tipo de ajuste aumenta o nível de confiança. Empresas bem estruturadas ganham competitividade, enquanto práticas menos seguras tendem a sair de cena”, afirma.

O debate também se conecta ao cenário orçamentário. O Congresso discute mudanças nas regras de pagamento, correção e priorização de precatórios, o que pode afetar o valor presente desses créditos e a forma como investidores os avaliam.

Felipe de Andrade enfatiza que a transparência será cada vez mais decisiva. “O investidor exige clareza sobre a origem dos créditos, sobre o status do processo judicial e sobre os riscos. Sem isso, qualquer crise bancária pode derrubar a confiança no mercado como um todo. Precisamos de auditoria, rastreabilidade e clareza essas são as bases para a sustentabilidade do setor”, afirma.

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