Presidente do Durão & Almeida, Pontes Advogados Associados, Bruno Medeiros Durão explica por que a advocacia preventiva evita prejuízos e decisões financeiras arriscadas
A maioria das pessoas só pensa em procurar um advogado quando o problema já virou uma dor de cabeça, ou quando o prejuízo já está feito. Multas, dívidas, bloqueio de contas, perda de prazos, contratos mal assinados e disputas judiciais poderiam, em muitos casos, ser evitados com uma orientação jurídica preventiva.
Segundo o advogado tributarista e especialista em finanças Bruno Medeiros Durão, presidente do Durão & Almeida, Pontes Advogados Associados, o maior erro do brasileiro é enxergar o advogado apenas como alguém que “apaga incêndios”, e não como um profissional estratégico para evitar problemas. “As pessoas normalmente nos procuram quando o dano já aconteceu. Só que, em muitos casos, uma consulta feita antes de assinar um contrato, antes de deixar uma dívida se acumular ou antes de tomar uma decisão financeira importante poderia evitar perdas enormes”, explica.
Problemas pequenos podem virar grandes prejuízos
Situações aparentemente simples, como atrasar impostos, ignorar notificações, assinar contratos sem ler com atenção ou confiar em acordos verbais, estão entre as principais portas de entrada para processos, multas e bloqueios judiciais.
No caso de empresas e empreendedores, o risco é ainda maior: erros fiscais, falhas na gestão tributária ou escolhas equivocadas de regime de tributação podem gerar dívidas milionárias e até inviabilizar o negócio. “Muita gente só descobre que está em situação irregular quando já existe uma cobrança judicial, um bloqueio de bens ou uma multa pesada. Aí, o custo para resolver é muito maior do que teria sido o custo da prevenção”, destaca.
Quando é o momento certo de procurar um advogado?
De acordo com Bruno Durão, o ideal é buscar orientação jurídica sempre que a decisão envolver:
- Assinatura de contratos ou acordos importantes;
- Compra ou venda de imóveis, empresas ou bens de alto valor;
- Organização financeira e patrimonial;
- Dívidas, negociações ou renegociações com bancos e credores;
- Questões tributárias, impostos e regularização fiscal;
- Abertura, reorganização ou encerramento de empresas;
Para Bruno Durão, a principal mudança de mentalidade que pessoas físicas e empresas precisam fazer é enxergar o direito como parte do planejamento da vida financeira e patrimonial, e não apenas como uma resposta a crises. Segundo ele, a advocacia preventiva permite identificar riscos, corrigir rotas e evitar decisões que podem gerar prejuízos difíceis de reverter no futuro. “O advogado não deve ser visto apenas como um socorro de emergência, mas como alguém que ajuda a tomar decisões mais seguras e estratégicas. Consultar antes quase sempre sai mais barato do que consertar depois”, ressalta.
Prevenção jurídica também é planejamento financeiro
Na avaliação do especialista, a advocacia preventiva faz parte de uma boa gestão financeira, tanto para pessoas físicas quanto para empresas. “Quando você organiza sua vida jurídica e tributária, você protege seu patrimônio, evita surpresas desagradáveis e ganha previsibilidade. Isso é tão importante quanto planejar investimentos ou controlar gastos”, disse.
Na prática, essa demora em buscar orientação jurídica costuma ter consequências bem mais graves do que a maioria imagina. O que começa como uma dúvida simples, um contrato mal interpretado ou uma pendência financeira aparentemente pequena pode evoluir para cobranças judiciais, bloqueios de bens e disputas que se arrastam por anos. “Muitas vezes o cliente chega dizendo: ‘se eu soubesse disso antes, teria procurado um advogado’. Infelizmente, essa frase é mais comum do que deveria”, completa