Nova fase do sistema tributário amplia custos e complexidade para negócios a partir de 2026
A nova etapa da reforma tributária no Brasil começa a pressionar empresas de diferentes setores e exige decisões estratégicas imediatas para reduzir impactos sobre custos, margens e competitividade. A mudança, que prevê a unificação dos tributos sobre o consumo com a criação do IBS e da CBS, entra em um período mais efetivo de transição a partir de 2026, quando os efeitos passam a ser sentidos de forma mais direta no ambiente de negócios.
Segundo análise do advogado tributarista e especialista em finanças Bruno Medeiros Durão, presidente do escritório Durão & Almeida, Advogados Associados, os impactos da reforma não devem ocorrer de forma homogênea. Empresas com margens mais estreitas ou com estruturas de gestão menos profissionalizadas tendem a enfrentar maiores dificuldades, especialmente em relação ao fluxo de caixa e à reorganização dos processos de apuração tributária.
De acordo com Durão, a reforma tributária altera a lógica do sistema de tributação no país, indo além da simples mudança de alíquotas. Setores intensivos em serviços, locação, comércio digital e cadeias produtivas com múltiplos elos devem sentir os efeitos com mais intensidade, diante da necessidade de maior controle sobre créditos e débitos, investimentos em tecnologia e revisão de contratos.
Outro desafio apontado é o longo período de transição, no qual o modelo atual de tributação conviverá com o novo sistema. Essa sobreposição tende a elevar os custos operacionais, exigir adaptações nos sistemas internos das empresas e aumentar o risco de falhas na apuração de tributos, o que pode resultar em autuações fiscais e disputas administrativas ou judiciais.
Para o advogado tributarista Adriano de Almeida, sócio do Durão & Almeida, Pontes Advogados Associados, o período de transição exige atenção redobrada das empresas. Na avaliação dele, a convivência simultânea de dois sistemas tributários amplia a complexidade operacional e o risco jurídico, tornando indispensável o planejamento e o acompanhamento técnico contínuo.
Adriano destaca ainda que a reforma tributária demanda uma atuação integrada entre as áreas jurídica, contábil e financeira. O novo cenário obriga empresários a analisarem os impactos da tributação sobre preços, margens, contratos e até sobre a estrutura societária das empresas, indo além do simples cumprimento das obrigações legais.
Na avaliação dos especialistas, a reforma impõe um movimento de adaptação que pode envolver reestruturação societária, revisão de preços, renegociação com fornecedores e até mudanças no modelo de negócio. Com efeitos diretos sobre custos, competitividade e segurança jurídica, a reforma tributária se consolida como um dos principais desafios empresariais da década, exigindo respostas rápidas e planejamento estratégico por parte do setor produtivo.
Texto: Jornal da Economia
